—Eu só sabia do papagaio, observou o Vasconcellos.

—Nada, não sr., continuou o brazileiro. O bem-te-vi, por exemplo, canta dizendo o seu nome. O tico, que é do tamanho d'um pardal, anda sempre a dizer—tico, tico. E o curiangú, que se põe de noite adeante dos cavallos, costuma dizer de madrugada: João, corta pau!

—Mas os indigenas hão de dar alguma explicação a essa phrase...

—Isso agora é que eu não sei, meu caro sr. Lá que elle o diz, diz, porque eu, sendo caixeiro e andando a cobrança, ouvi muitas vezes cantar o curiangú. Punha-se á frente do meu cavallo e, quando o sentia perto, tornava a voar, e esperava-o dizendo: curiangú.{114}

—Então não diz sempre a mesma coisa?

—Não, sr. De noite diz—curiangú; e de madrugada—João, corta pau.

—É curioso! Pois nós viemos para ouvir os rouxinoes, e a verdade é que ainda os não ouvimos, com grande magua do nosso amigo Jervis, que tomou muito a sério o pretexto d'esta digressão. Mas temos passado as noites tão entretidos no hotel, que nos tem faltado tempo para irmos ouvir os rouxinoes.

—Entretidos! Aqui? perguntou ironicamente a mulher do brazileiro.

—Sim, minha senhora, respondeu o Leotte, muito agraciado do semblante. Entretidos a contar historias.

—Da carochinha? perguntou ella com o mesmo tom de ironia.