Sem termos sido mutuamente apresentados, estabeleceu-se para o fim do jantar, graças aos esforços empregados pelo Leotte, um certo convivio de expansiva camaradagem. Leotte, rindo sempre, contou ao que tinhamos ido a Cintra: ouvir os rouxinoes.

O brazileiro e a mulher acharam muito graça a esta excentricidade collectiva.

—Ouvir os rouxinoes! exclamou elle. Na minha terra, por este tempo, os rouxinoes são aos cardumes!

O Gonçallinho Jervis sublinhou com um olhar, que me enviesou, os cardumes de rouxinoes, que tinham saído da bocca do brazileiro.{113}

Mas o Leotte aproveitou logo a occasião para perguntar:

—Então v. ex.ª é portuguez?

—Nado e creado na freguezia de Santa Maria de Bouro, concelho de Amares, comarca de Villa Verde, districto de Braga, respondeu elle.

—Ah! Por ahi, como em toda a provincia do Minho, são abundantissimos os rouxinoes.

—Que no Brazil, onde estive mais de trinta annos, tambem ha muitos passaros que cantam bem: o sabiá sica, o corrixo, que imita todos os outros passaros, o bem-te-vi, etc. Mas o que no Brazil ha de mais notavel é que muitos passaros falam.

—Falam? perguntou o Leotte.