—Luiz de Lemos chegou a Braga ás cinco horas da tarde, sem ser esperado dos primos do Campo Novo.
Apeteceu-lhe aproveitar os primeiros dias de verão, alegres e quentes, e a resolução d'essa pequena jornada ao Minho foi tomada de repente, uma noite, ao sair do theatro Baquet.
Tinha chegado de Boaças dias antes, apenas com o seu fato de verão e alguma roupa branca na mala. Não contava passar do Porto. Mas, de subito, n'aquella noite, lembraram-lhe os primos Ozorios de Braga, dois pandegos, e, ao recolher do theatro, fez a mala e disse ao criado da Aguia d'ouro que o chamasse ao romper da manhã.
—V. ex.ª retira-se já para Boaças? perguntou{145} o criado, admirado de que, d'esta vez, o rega-bofes durasse tão pouco tempo.
—Não. Eu vou a Braga, visitar os primos Ozorios. Ainda hei de ir estar na Foz alguns dias. Mas por ora é cedo. Vou a Braga.
Ao romper da manhã, Luiz de Lemos foi á rua Formosa, á alquilaria do Raymundo, alugar um coupé que o levasse a Braga.
Elle tinha um grande horror instinctivo pela diligencia de Entre-Paredes em especial, e por todas as diligencias em geral. Dizia elle que a diligencia era a valla dos vivos. Uma philosophia como qualquer outra.
A manhã estava deliciosa, fresca e lucida, excellente para jornada. Almoçou na Carriça, tornou a almoçar em Villa Nova de Famalicão, e almoçaria terceira vez em Braga, se não preferisse jantar.
Os primos Ozorios do Campo Novo, encantados com a visita do morgado de Boaças, disseram-lhe que iam para a mesa.
—Vocês ainda jantam? perguntou o morgado.