—Boas, senhora morgada, se póde haver boas noticias quando a tempestade, que se descondensa n'um ponto, ameaça n'outro.
—Inda bem! inda bem! apostrophou a morgada relanceando um olhar d'alegria á porta do quarto onde estava descançando a neta.
O padre capellão, sem se dar o incommodo de desculpar a ligeireza com que alinhavara as suas orações, appareceu mordido de curiosidade.
—E o caso é que pensei que das indagações já não sobrava tempo para o nosso voltarete!—disse o Teixeira sentando-se a um gesto da morgada.—Venho tarde, e porei por desculpa da demora o bom empenho que tinha em poder satisfazer a justa anciedade de vossa senhoria.
—Não obstante serem boas as informações, supplico-lhe que não aggrave as côres do quadro, dado que entre por ahi de improviso a minha neta, que se recolheu aos seus quartos, por ordem minha, para não ser testemunha auricular da narrativa no caso de que fosse lugubre.
—Os francezes foram repellidos heroicamente, disse o fidalgo baixando a voz.
—Vamos a isso! atalhou o padre capellão fungando uma pitada.
O fidalgo proseguiu:
—Os francezes não ousaram metter-se ao Minho, que vae de monte a monte, com a agua que tem caído, por se arreceiarem da cheia. Trouxeram por terra os barcos que puderam obter na Guardia, e puzeram-n'os a nado no Tamuge.
—Que artes teem os malditosl exclamou o capellão[{17}] lembrando-se de que não haveria thesouro que resistisse á astucia franceza.