—É verdade! affirmou a menina com pesar de se haver esquecido.

D. Eulalia contou:

—Ha quatro annos, foi em...

—Junho, acrescentou Izabel.[{151}]

—É verdade, foi em junho, proseguiu D. Eulalia; andou o carteiro por esta rua, para cima e para baixo, a perguntar pela familia Strech. Todos lhe diziam que essa desgraçada familia estava no cemiterio. Até que a final o carteiro e alguns visinhos bateram á nossa porta, porque sabiam das nossas relações com a sua familia. A carta, que trazia o timbre de Italia, dizia: Sr. José Maria da Graça Strech, soldado portuguez (pela orthographia conhecia-se que a pessoa que escrevia era estrangeira, disse em parentesis D. Eulalia) natural do Porto;—Portugal.

Graça Strech ouvia offegante.

D. Eulalia proseguiu:

—Do senhor ninguem sabia nada, mas como a carta ficaria naturalmente perdida no correio, encarregamo-nos de mandal-a ao acaso para onde estivesse o exercito. Era o unico meio de lhe chegar á mão, caso o senhor estivesse vivo. Nós nada sabiamos. Perguntamos o que haviamos de fazer. Disseram-nos que a mandassemos para Almeida, que era onde Wellingtão—ella pronunciou assim,—tinha estabelecido o quartel general. Para lá a mandamos, pensando que fariamos bem. Visto isso o senhor não a recebeu?

—Não recebi, minha senhora, respondeu Graça Strech com difficuldade. Agradeço, porém, a vossas senhorias o cuidado que tiveram e, para não as demorar por mais tempo, recebo as suas ordens...

—Tambem—atalhou D. Eulalia, vão sendo horas da missa do Senhor dos Passos. Vamos lá. Se o sr. Strech precisar d'alguma coisa, não tem senão mandar-nos e dizer onde está, para que não se torne a perder qualquer carta.