—Isso não! isso nunca! interrompeu Pietro com febril exaltação. A minha harpa nunca ella a deixará; já lh'o disse, e ella prometteu-m'o.

—Desculpa, Pietro, eu não pensei o que disse. Emfim comprará o que quizer, porque todo o capital será d'ella; eu serei unicamente depositario.

—Bem! disse Pietro prostrado de commoção. Estamos tratados para a vida e para a morte. Agora sae por algum tempo, e manda-me cá a pequena.

Saíu Giovanni e entrou Augusta.

O doente esteve olhando para ella mui attentamente, e exclamou:

—Que linda és!

A pequetita respondeu com beijos.

—Olha lá, Augusta,—tornou Pietro—não te esqueças da recommendação do annel. Oh! que se tu encontrasses ainda teu pae! E d'ahi póde ser. Deus é misericordioso. Se elle escapou á guerra, bem póde acontecer que ainda algum dia o encontres. Deus o queira, Augusta, anjo, filha. És tão pequenina, tão pequenina, que cada vez me pareces mais um passarinho! Emfim eu não havia de ser eterno; muito me tem deixado Deus viver para teu amparo. Que linda, filha, que linda! Olha... chama Giovanni, e vae ali para fóra um momento... Tu és muito minha amiga, pois não és?... Vae filha, vae, e chama Giovanni.

Saiu a pequenita a cumprir a ordem.

Giovanni abeirou-se do catre e recebeu da mão do doente os papeis em que lhe falára.