—É que o exercito é muito grande, e depois anda d'um lado para outro... disse eu prevenindo novas commoções.

Os soffrimentos da signora havel-a-iam prostrado antes de ser mãe, se não fosse essa carta que recebeu de Portugal. Beijava-a, relia-a, apertava-a contra o coração; só n'aquillo achava allivio.

Desde principios de maio de 1810 que a hora da maternidade se annunciava para breve. Quiz—porque ella tinha o presentimento da morte—escrever uma longa carta, que devia ter chegado a Portugal em junho, e que com certeza não foi recebida. Essa carta, cujo conteudo ignoro, era de certo uma despedida, o ultimo adeus da signora. Deixou o papel ainda sobre a mesa, e caíu contra o leito em grandes gritos. Acudi-lhe, e disse-lhe que não a tornaria a deixar escrever mais.

—Não me é precisa a sua licença, meu bom Pietro! respondeu ella.

Eu estremeci.

Logo que serenou, fechei a carta, sem lhe poisar a vista, e fui eu mesmo deital-a ao correio.

No dia 22 de maio, pela manhã, chamei a locandeira, que era piedosa, porque a signora me disse que n'esse dia seria mãe.

Soffreu doze horas. A final deu á luz uma menina. Quiz ver a filha; mostrei-lh'a.

—Que se chame Argusta, Pietro, que se chame Augusta, recommendou a signora.

Certifiquei-a de que esse seria o nome de sua filha.[{180}]