Augusta, lavada em lagrimas, e offegante de commoção, reagiu energicamente.
—Se meu pae e meu irmão morrerem—dizia ella—deixemo-nos morrer tambem, porque o viver sem elles seria peior que a morte. Se vencermos, seremos as primeiras a abraçal-os, a agradecer-lhes por nós e pela patria. Elles cumprem o seu dever; e nós tambem. Elles estão no seu posto; nós estamos no nosso. O meu coração revolta-se contra a ideia de levarmos o egoismo da nossa vida até ao esquecimento de que temos dois soldados nas linhas de defeza. Muito obrigada, minhas amigas, mas minha mãe e minha avó são da mesma opinião, e ficaremos todas. O perigo, se o houver, repartido por trez será menor. Vão, não percam tempo; oxalá que nos tornemos a vêr...
E despediram-se, chorando e soluçando, como se se despedissem para a eternidade.
Ao alvorejar da manhã forçaram os francezes as baterias de Santo Antonio, Pedral e Aguardente.
A cavallaria inimiga, entrando a dois de fundo pelas ruas da cidade, correu a atacar pela rectaguarda as baterias que resistiam ainda.
Uma das que por mais tempo, e mais heroicamente resistiram, foi a do Bomfim.
Já quando era grande a confusão em todo o circuito, destacou o brigadeiro Victoria para o exterior da linha a gente que lhe restava da legião lusitana, e mais duas partidas na força total de cem homens.
O brigadeiro, o tenente coronel Champalimaud, o ajudante da praça de Valency, Antonio de Azevedo, e o capitão Graça Strech corriam denodadamente de um lado a outro animando o povo, que ali confluira, e que esperava poder fugir protegido por duas baterias, as quaes não só defendiam a rua do Bomfim mas até as baterias de Campanhã.
Outro tanto não aconteceu no lado esquerdo da linha, commandado pelo brigadeiro Antonio de Lima Barreto.
Logo pela manhã o immigo começou a atacal-o com energia; Barreto, perdendo algumas baterias, voltou-se para os artilheiros dizendo-lhes: