IV

Horrores da invasão

Durante a noite de 28 para 29 continuou tão rijo o fogo, que o inimigo logrou forçar a bateria da Prelada.

Grande era o pavor da cidade, e maior foi quando se soube que sua excellencia o bispo generalissimo se havia retirado para a Serra do Pilar.

Este facto demonstrava não só a descrença do prelado na defeza do Porto, senão que tambem punha a descoberto a intenção de fuga, no caso de perigo, o que realmente aconteceu.

Não lastimemos a impiedade deshumana do pastor, que abandonava em tão dolorosa conjunctura o rebanho indefeso, porque basta a historia a stygmatisal-a, mas calculemos a funesta impressão que semelhante noticia causaria nos animos desalentados dos portuenses.

A familia do capitão Graça Strech foi seguramente uma das que mais succumbiram n'aquella tormentosa noite.

As trez mulheres estavam entregues ás suas orações e angustias, inabalaveis no proposito de esperar a pé quedo a desgraça, verdadeiramente sós, porque os criados, que foram os primeiros a dar rebate, fugiram, durante a noite, bandeados com outros habitantes, para Gaya.

O capitão e o filho combatiam ás ordens do brigadeiro Victoria, na linha do Bomfim, posto defensivo que, á hora da invasão, veiu a nobilitar-se com esforçados prodigios de coragem por parte do intrepido brigadeiro e dos seus.

Umas visinhas da familia Strech, já preparadas para a fuga, instaram com as pobres senhoras para que as acompanhassem. Segundo o seu plano, acoitar-se-iam em Gondomar, onde diziam ter parentes lavradores.[{29}]