Ergueu-se com muito custo, atabafando o sangue com a roupa, e começou a sondar a escuridão, procurando alguem.
Não tardou que tropeçasse n'um obstaculo que os pés encontraram. Curvou-se e tacteou. Encontrou vestidos de mulher. Estendeu a mão e apalpou um rosto. Até pelo tacto conhecemos os nossos. José Maria estremeceu como se tivesse recebido em pleno peito um novo golpe de ferro, e rugiu d'afflicção e desespero. Não podia duvidar. Era o rosto de sua irmã. Parecia morta! Entrou de agital-a, de chamal-a. O mesmo silencio, a mesma immobilidade!
—Mortal morta! rouquejava elle convulso.—Minha mãe! minha avó!
E unicamente lhe respondia a chuva a fustigar a vidraça.
Occorreu-lhe porém que, como se deu com elle, podia ser que sua irmã estivesse apenas adormecida em deliquio.
—Ella é tão delicada! apostrophou-se elle. Desmaiou talvez. Julgaram-n'a morta. Deixaram-n'a. Mas minha mãe? E minha avó?
Era preciso tirar-se d'aquella duvida horrivel.
Sondando as trevas, saíu tremendo, a procurar luz.[{42}]
Momentos depois voltava cambaleante á sala e, levantando una candieiro de latão á altura da cara, reconhecia trez cadaveres.