N'essa mesma noite, e a essa mesma hora, ruidosamente se banqueteavam n'uma taberna do largo da Lapa, ebrios de vinho e victoria, alguns soldados da divisão Delaborde.

Comia-se, bebia-se, fumava-se, cantava-se. Era a celebração solemne d'um dia de saque, que requeria uma noite d'orgia. Algumas vivandeiras francezas cantavam em côro, no idioma patrio, e reclinadas aos hombros dos soldados, uma canção marcial, cujo estribilho podia ser traduzido d'este modo:

Viva a França! viva a França!
Que triumpha na matança!
Rataplan!

Um dos soldados; de olhar scintillante e fartos bigodes retorcidos, chasqueava na sua lingua natal com uma das vivandeiras que se lhe queria escapar dos braços:

—Oh! Por Deus, que era bem mais bonita do que tu!

—Quem? perguntou d'esguelha a vivandeira.

—A portugueza que me resistiu.

—E que tu mataste?

—E que eu matei para que não deixasse de resistir a outro.

—A pobre rapariga!