—Pobre rapariga! d'aquella edade deve ter morrido pura! Tu não morres assim, ma petite chienne! Par Dieu!

—Cruel!

—E o caso é que quasi do mesmo golpe derrubei as duas mulheres que a defendiam e abraçavam. Um soldado do imperador livra-se depressa ainda que seja d'um cento de mulheres.

—Cheiras a sangue! exclamou a vivandeira forcejando por desprender-se dos braços do soldado.

—Acodes pelo teu sexo! O que me não perguntas é quantos homens matei! Por Deus! que era precisa a vingança. Estes perros d'hespanhoes, que se chamam portuguezes, não nos queimaram a alma porque[{43}] não puderam. Atiravam-nos desesperados! E matavam os nossos emissarios! e mutilavam os nossos irmãos! Quantos centos de francezes imaginas tu que morreram hoje? Não se mata impunemente um francez como se mata um cão. E desde que entrámos em Portugal quantos não teem ficado para nunca mais voltar a França! Vingámol-os; estão vingados! Vive l'empereur! Vive le marechal! Vive la France!

E voltando-se para outra das vivandeiras, que estava proxima, jogou-lhe esta phrase intimativa:

—Esta é minha; canta tu.

E logo, por entre a vozeria, se ouviu cantar;

Viva a França! viva a França!
Que triumpha na matança!
Rataplan!