O soldado, com os olhos marejados de lagrimas, respondeu commovido:
—Vá descançado, meu capitão. Emquanto Jacques Regnau tiver vida, o paiol não ha de arder. Depois que vier a metralha da morte, o Deus dos exercitos velará por ella...
O soldado Jacques estava na confidencia do nascimento de Rosina. Fôra elle que, annos antes, saltára ao jardim de uma casa da rua das Tournelles, para receber dos braços de uma criada uma creança, cuja mãe procurava assim occultar o segredo da sua deshonra.
Jacques Regnau atravessou com ella nos braços o boulevard da Bastilha, e ia dizendo comsigo:
—O caso é que ainda tenho geito para estas aventuras mysteriosas. Suppunha-me velho e levo aqui esta creança mais como pae do que como avô. E todavia o que decerto vem a acontecer é que eu seja o avô, e o meu capitão o pae...
E assim, em verdade, aconteceu, com uma unica differença. Se Rosina, no decurso de sua vida, precisasse de nobilitar-se com um appellido, o pae, ao invés do que acontece em todas as familias, não lhe daria o seu appellido, mas sim o do leal camarada. Diria provavelmente:
—Põe lá: Rosina Regnau.
Ella porém não precisava de appellido paterno. Era a filha do regimento. Chamava-se simplesmente Rosina, lá gentille vivandière.
Esta era a enfermeira do nosso ferido.[{55}]
[5] Referencia á proclamação de Soult.