O soldado que respondera era, como calculam, a vivandeira das Ardennas.

Chegados á rua, Rosina Regnau apertou convulsamente o braço de Graça Strech e segredou-lhe:

—Nunca se esqueça de que n'este dia, e a esta hora, lhe dei a liberdade, roubando-a a mim mesma.

—Nunca! respondeu elle commovido.

E, como sentissem aproximar-se uma ronda, estugaram o passo, caminhando sem norte.

Por duas vezes, no aventuroso transito, os surprehenderam patrulhas francezas.

Era sempre Rosina quem respondia no idioma patrio, não sem que sentisse palpitar vertiginosamente o coração receioso de ver desabar n'um momento a felicidade sonhada.

Insensivelmente se foram aproximando do rio Douro, a cuja margem pararam algum tempo vacillantes no que fariam e, não obstante serem ambos corajosos, quasi amedrontados. Só então, chamados á realidade, olharam para dentro de si mesmos, conscientes da arriscada situação em que se encontravam.

Pareceu-lhes, porém, ouvir o compasso de remos na agua, e tanto bastou para se illuminar d'um raio d'esperança a alma da vivandeira.

Foi Graça Strech quem se aventurou a chamar o barqueiro.