A esta palavra, se elle houvesse reparado, veria brilhar extraordinariamente os olhos de Rosina Regnau, que encontrára n'esse momento, melhor ainda, n'esse vocabulo, a chave d'um enigma que a preocupava dolorosamente.
—Pois então, lá vae tudo, p-a-pá-Santa Justa, tornou facetamente o barqueiro. Os francezes pegaram hontem fogo á villa d'Amarante. Hoje de manhã havia uma procissão de gente que vinha fugida da villa.[{73}] Em Pé-de-Moira ficaram dez pessoas. Foram ellas que contaram o que se havia passado.
—Quem commanda os Portugueses, sabes?
—É o general... Ora que me não lembra agora! Elle tem assim um nome a modo d'arvore...
—Silveira? perguntou com anciedade Graça Strech.
—Tal qual: Sirveira, deturpou o barqueiro.
Aclarava-se o céo com os primeiros alvores do dia 20 d'abril.
Rosina levava os olhos postos no arvoredo das margens, alanceada, porventura, de vagas saudades das florestas das Ardennas.
—Agora, á luz d'esta candeia, apostrophou o barqueiro apontando para o sol nascente—já eu não me enganava com o sordadito...
Rosina sorriu melancolicamente, como se entendesse o barqueiro por uma fina intuição de mulher apaixonada, e Graça Strech perguntou em francez pousando o remo: