—Vae triste! É o arrependimento que chega?...
A vivandeira respondeu energicamente com um gesto negativo, como se em verdade fôra muda.
—O peior—disse o barqueiro improvisamente—é que se virem de terra que vae aqui um soldado francez, são capazes de fazer fogo contra todos nós. Os diabos o jurem! Mas se ella não é franceza p'ra que diabo lhe fala o senhor n'esses latins?
—São coisas... respondeu austeramente Graça Strech.—Tens razão, tens... no que lembraste.
E, voltando-se para Rosina, traduziu o pensamento do barqueiro.
—Vae ali uma manta, e a cachopa que se embrulhe n'ella, se quizer, observou o Tunante de Pé-de-Moira, com certo orgulho alegre de tomar parte n'uma aventura que desde logo presumiu amorosa.
Rosina, aconselhada por Graça Strech, acceitou o offerecimento, e despiu a fardeta.
O Tunante, orgulhoso de poder fazer concessões, acrescentou:
—Minha mulher tem lá por casa uns trapos, que não valem nada. Assim que chegarmos, eu irei buscal-os.
Inteirada do offerecimento, Rosina abriu a bolça da ambulancia e tirou com presteza o seu corpete,[{74}] saial e bonnet de vivandeira, arremessando-os ao rio.