E aquelle immenso amor da vivandeira, que renunciára á patria, á liberdade e á voz, contentava-se com exhalar-se n'uma palavra, e ser correspondido por outra.

Ella tambem não pedia mais. Era o cão do soldado: seguia-o.

Quando a tristeza lhe descia ao coração, a indefinida tristeza de quem ama, consolava-se a si propria imaginando-se ainda vivandeira, porque ouvia troar o canhão e sentia no ar o cheiro da polvora.

Era apenas a memoria o que lhe restava do que fôra; o fato da sua infancia sepultára-o ella no fundo das aguas...

Entretanto proseguiam com actividade as operações d'um e outro exercito.

A 22 d'abril entrava em Lisboa Wellesley, commandante em chefe das forças britannicas, que desembarcaram no Porto, na Figueira, etc. As tropas inglezas, de combinação com as portuguezas, começaram a tomar differentes posições. Em Coimbra passaram algumas divisões nos dias 1 e 2 de maio, sendo recebidas com festas que chegaram a tocar o maximo enthusiasmo.

Era aquelle o hymno de esperança da patria, anciosa de liberdade.

Avançaram as tropas alliadas até Agueda, e lograram repellir os francezes desde as Albergarias até Oliveira d'Azemeis, onde Wellesley, depois lord Wellington, estabelecera o quartel general.

No dia 11, a guarda avançada do exercito anglo-luzo destroçou em Grijó os postos avançados francezes que recuaram até Gaya e passaram o Douro, cortando immediatamente a ponte de barcas.

Na vespera d'esse dia atravessára Beresford o Douro na Regua com as suas tropas, repellindo Loison para Amarante, e de Amarante para o Porto; Loison perdera na retirada muitas peças, alguns obuzes, e cento e dezenove carros com bagagens.