O leitor não acreditaria esta noticia, se eu não pudesse comproval-a com um documento authentico.
Mas posso. Ahi vai o documento, que, por ser curioso, não quero que fique esquecido entre os meus papeis velhos:
«Ministerio do Reino--3.^a Repartição--Havendo Manuel José d'Oliveira, actual proprietario do edificio da supprimida Casa do Espirito Santo da Congregação do Oratorio, cedido as grandes columnas de cantaria e seus capiteis, que ornão o frontispicio d'aquella Igreja, para serem empregadas na fachada do novo theatro nacional, que se projecta fazer; com a condição de que não seja feito á sua custa o descimento e conducção das mesmas columnas: Manda Sua Magestade a Rainha, que o Conselheiro Fiscal das Obras Publicas faça preparar todo o apparelho necessario para aquelle descimento, combinando com o mencionado Manuel José d'Oliveira a occasião e dia em que elle deve ter logar; fazendo depois conduzir as ditas columnas e capiteis para o Arsenal da Marinha, onde achará as ordens necessarias para serem recolhidas e depositadas até que se lhes dê o indicado destino: devendo outrosim o mesmo Conselheiro Fiscal dar todas as providencias para que, tanto no acto do descimento, como no da conducção, não soffram o menor damno as columnas e particularmente os lavrados de seus capiteis. Palacio das Necessidades em 9 de janeiro de 1836. (assignado) L. M. S. de Albuquerque».
Pois não é interessante o destino d'estas columnas?
Procurei saber quando foi que entraram em deposito no Arsenal de Marinha, e quando sahiram de lá para o theatro.
Metti de empenho o meu illustre amigo sr. conde de Paço d'Arcos, que gentilmente, como sempre costuma, se interessou pela minha solicitação. Fez-se a pergunta ao Arsenal. Passaram mezes. Não veiu resposta. Não era negocio de expediente ordinario; ficou para traz. Pois deixal-o ficar; eu é que vou andando para deante, já aborrecido de esperar.
E agora tornemos ao nosso poeta.
IV
A popularidade de Antonio Ribeiro o Chiado proveiu não tanto da sua veia poetica, aliás muito apreciada pelos entendidos, como das suas repetidas tunantadas, de que o povo tinha directo conhecimento, porque as presenceava em plena rua.