Morreu corajosamente, rodeada pelos netos.
Ella, que teve uns olhos cheios de brilho e de magia, estava quasi cega quando morreu.
Já não podia lêr, nem escrever.
Eu ignorava esta circumstancia, que me foi agora communicada em Seide.
Extranho destino o d'essas duas almas, Anna Placido e Camillo, que o amor reuniu, que a convivencia torturou, e que a desgraça da cegueira feriu implacavelmente na velhice, para que ambos exgotassem até ás fezes o mesmo calix de amargura.
Aqui terminou a nossa visita á casa deshabitada de Seide, rodeada de «pinheiraes gementes», mais triste agora do que nunca.
Por vezes o sr. Carvalho aligeirou a melancolia que nos acabrunhava ali, evocando alguma recordação anecdotica da vida de Camillo.
Quando sahiamos o portão da quinta, dizia-nos o sr. Carvalho:
—Um dia, Camillo, vindo do Porto, preveniu o chefe da estação de Villa Nova de que esperava brevemente a visita de um «bacharel» e pediu-lhe que o guiasse para S. Miguel de Seide. Sempre que chegava um comboio, o chefe da estação perguntava: «Vem ahi algum sr. doutor, que deseje ir para Seide?» Ninguem respondia. Até que finalmente appareceu o «bacharel» annunciado: era um burro que Camillo Castello Branco tinha comprado no Porto.[{28}]
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