Como voltassemos á casa do Nuno, para nos despedirmos dos netos do grande romancista, pois que só o pequeno Camillo nos tinha acompanhado, aproveitei o caminho para fazer algumas perguntas á sr.ª D. Anna.
—O sr. visconde de Corrêa Botelho não reservou para si alguns livros e manuscriptos, quando vendeu a bibliotheca?
Obtive esta resposta:
—Sim, senhor. Mas a sr.ª viscondessa recommendou-me muitas vezes que os não mostrasse a ninguem antes de entregal-os aos netos.
Fiquei, confesso, um pouco contrariado, mas não tinha que replicar.
Perguntei á sr.ª D. Anna por um antigo criado de Camillo, que eu conhecêra na Povoa de Varzim e do qual o grande romancista me disse n'aquella praia: «Manoel Canniço é a unica pessoa que manda na minha casa. Assumiu a dictadura e não sabe governar d'outro modo: dava um bom ministro... constitucional.»
Poucas horas depois sahiamos, Camillo e eu, para ir dar um passeio.
O Manoel Canniço appareceu-nos na escada e interpellou seu amo dizendo-lhe:
—V. Ex.ª vai sem paletot?
Camillo respondeu passivamente:[{29}]