NUNO

—A tarde está quente, e nós demoramo-nos pouco.

Manoel Canniço, em plena dictadura, replicou:

—V. Ex.ª vai vestir o paletot; queira esperar, que vou buscal-o.

Camillo encolheu os hombros, sorrindo. E ambos esperámos que o paletot chegasse.

Andámos visitando os cafés e as roletas. Quando recolhiamos a casa, passámos por uma taberna onde estavam zangarreando viola. Camillo parou, olhou para dentro da tasca, e disse-me: «Quem toca é o Manoel Canniço. Por isso é que eu o soffro.»

Segundo me contou a sr.ª D. Anna Correia, Manoel Canniço fôra para o Brazil, onde se demorára alguns annos; regressou outro dia, mais pobre do que tinha ido.

Voltando á casa do Nuno, tornei a falar na necessidade de, com o auxilio do Estado, serem convenientemente educados os netos de Camillo.

E de repente ataquei um assumpto novo: