A sr.ª D. Anna Corrêa disse então como se quizesse apresentar-me officialmente o sr. Carvalho:

—É um nosso velho amigo, que o sr. visconde (Camillo) estimava muito.

E, sorrindo, acrescentou:

—É o «José Fistula» do Eusebio Macario...

O sr. Carvalho atalhou jovialmente:

—Com a differença de que não sei tocar guitarra, nem cantar o Fado. Camillo brincava comigo; mas era meu amigo a valer, e eu adorava-o.

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É certo que o genial romancista, na vida aldeã de Seide, se entretinha familiarmente com a gente do campo. Não me refiro ao sr. Carvalho, que é um[{32}] camponez relativamente illustrado. Mas ainda outro dia vi em Santo Thyrso um velho jornaleiro que anda hoje pedindo esmola, e que recita perlengas mythologicas e polyglottas leccionadas por Camillo. Chama-se João de Seide e deve ter perto de setenta annos. Repete inconscientemente, como um phonographo, o que lhe ensinára o grande romancista em horas de bom humor. Por exemplo:

Jupiter era um deus omnipotente no Olympo. Venus era sua filha e mãe de Cupido, deus do amor. Um dia Jupiter escamou-se com Vulcano, deu-lhe um pontapé no trazeiro, e deixou-lh'o ao lado.