Era o botequim habitual de Camillo quando passava em Famalicão.
Ali se entretinha o grande escriptor chalaçando com o velho Gato, cuja rusticidade de trato eu pude aferir pelo dialogo que se travou, na minha presença, entre elle e um cavalheiro de Famalicão, ao entrarmos ultimamente n'aquelle botequim com outros cavalheiros de Santo Thyrso.
—Ó Gato, venha vêr o que estes srs. querem tomar.
Resposta d'elle:
—Não é preciso. Peça de lá, que eu sirvo de cá.
É de notar que esta resposta agreste, no trato da gente rustica do Minho, não exclue bondade de caracter. Não vá suppôr-se que o proprietario do café de Famalicão seja um «gato bravo» da bocca para dentro.
Mas o caso vem a proposito para mostrar que[{34}] n'estas e outras rusticidades se recreava Camillo emquanto a cegueira o não isolou em Seide na treva e no desespero.
O grande escriptor tinha um vocabulario pittorescamente ironico para exprimir os ridiculos e desleixos da vida campestre.
Assim era que, segundo vejo n'um jornal minhôto, designava pelo nome bucolico de boninas as stratificações fecaes que matizam e embalsamam os caminhos nas villas e aldeias do Minho.
Tem verdadeira graça pastoril: boninas!