Dizia O Lusitano no seu numero de 29 de agosto do corrente anno:

«Noticiámos, ligeiramente, a semana passada, a estada, em S. Miguel de Seide, de visita aos netos de Camillo, do illustre escriptor sr. Alberto Pimentel.

«Não conhecemos as impressões, que a sua ex.ª resultaram da volta, passados tantos annos, á casa do grande escriptor seu amigo. Mas não nos seria desagradavel[{44}] saber se o nosso estimado confrade do Popular tomou, ou não, a resolução de contar no jornal, que redige, como é justo que o governo tome a iniciativa de proteger, de algum modo, os malaventurados netos do grandioso estylista.

«Tem-nos contado pessoas, que privam com a familia de Seide, que ha, entre aquellas seis creanças, uma—o Camillo—possuidora de intelligencia rara.

«Se assim é, não faz pena que a falta de recursos constitua embaraço ao aproveitamento d'aquelle rapaz?

«Não ha duas opiniões divergentes sobre a justiça de continuar, em favor dos descendentes do eminente romancista, o subsidio, que este primeiro aproveitou e que se extinguiu pela morte do Jorge. Vão os rendimentos do Estado, dia a dia, para applicações muito menos comprehensiveis.

«O sr. Alberto Pimentel, que foi á casa de Seide, decerto viu o que aquillo é, comparativamente com outros tempos.

«Ponha, por conseguinte, s. ex.ª todo o enorme merecimento da sua penna e das suas relações ao serviço d'esta causa. É o maior testemunho de amizade que póde prestar á memoria do extraordinario escriptor. E evita que se reedite aquella tão conhecida e fustigante phrase de Garrett, que constitue, com motivo, um castigo severissimo á contumaz ingratidão do nosso meio.»[{45}]

SIMÃO