Confessei-o agora á sr.ª D. Anna Corrêa, que espontaneamente me offereceu um exemplar em photographia. No album de Seide havia dois, tirados em Pariz, no tempo de Napoleão III, casa Mayer & Pierson, boulevard des Capucines, 3.

Incluirei esse retrato n'uma segunda edição d'Os amores de Camillo, se algum dia a fizer. Aqui não é[{50}] o seu logar proprio. Mas quero dar uma rapida impressão da pessoa de Manuel Pinheiro Alves: alto, magro, face glabra, olhos pequenos e fundos, escasso cabello penteado sobre a orelha direita; vestindo correctamente de preto, sobrecasaca comprida, gravata em laço. Toilette de velho, harmonisando com a physionomia; mas de velho que, por amor de uma mulher, quer apurar o vestir.

Tem o aspecto grave de ser o pai de D. Anna Placido, não o marido.

Tambem agora fiquei sabendo que Manuel Pinheiro Alves nascêra perto de S. Miguel de Seide.

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Quando voltámos á casa de Camillo, para eu receber os dois quadrinhos, parei um momento, ao sahir, no topo da escada de pedra.

Corri os olhos pelo vasto pinheiral circumjacente, que fecha o horisonte n'uma faxa verde-negra. Tive n'esse momento a nitida comprehensão do que seriam ali as longas noites de inverno, ouvindo gemer os pinheiros na solidão profunda de uma aldêa minhota.

—Pobre Camillo! disse eu, como se estivesse pensando alto. As suas noites aqui deviam ser horriveis!

O sr. Francisco Corrêa de Carvalho replicou:

—As tardes, as tardes de Camillo é que eram[{51}] ainda mais agitadas e tormentosas do que as noites. Depois de jantar, soffria muito; excitava-se, tinha desesperos, frenesis, que nos amarguravam tambem a nós.