exija ainda hoje uma coisa, que parece ser fundamental e logica: que os poeta escrevam em verso e os prosadores escrevam em prosa. Quanto á pureza da lingua, João Penha não se mostra menos intransigente. Ainda o anno passado lembrava elle ao snr. Anthero de Figueiredo o conhecido conselho de mestre Boileau:

Sans la langue... l'auteur le plus divin
Est toujours, quoi qu'il fasse, un méchant écrivain.

Assim, pois, não lhe regalarão decerto o ouvido puritano as innovações barbaras de quasi todos os poetas modernos, alguns de incontestavel{63} valor, á parte os vicios de escola, como por exemplo o snr. Julio Brandão, quando diz:

E citharas balança um côro vago de pucellas.
Rostos morenos, brunos, pallidos, divinos.

Espero apreciar em breve, individualmente, a cohorte revolucionaria dos modernos poetas portugueses. Ver-se-ha então que admiro a concepção genial de uns, e que faço justiça a todos.

Mas encontro-me com João Penha no que reputo a disciplina indispensavel da arte e da lingua, comquanto bastasse talvez dizer—da arte. E estou em opposição a Guerra Junqueiro quando affirma que a modernissima evolução poetica rasga horisontes inéditos, «sobretudo no ponto de vista da fórma e da expressão.»[[9]]

P. de Varzim—Novembro de 1893.

FIM

[[1]] Palavras suas em annotação ao volume dos Simples.

[[2]] «D'uma visão mais intima e profunda do universo germinaram em mim novas emoções, e portanto uma nova arte. O poeta renasceu e cresceu. Fecundo renascimento psicologico, e não apenas uma evoluçãosinha toda litteraria, meramente verbal e de superficie.»