Acudiram ás portas os soldados. Appareceu um algoz com o cepo, cutello e cordas, prompto a funccionar.

«Então, diz Bernardes, o arcebispo se lhe lançou aos pés, pedindo, em nome de todos, perdão, e as vidas de mercê; e que no tocante ás fazendas, cortasse por onde lhe parecesse.»

O certo é que o rei perdoou. Mas as contas ficaram justas por então, e o rei poude rehaver todos os castellos que, durante a sua menoridade, os tutores haviam alheado. E alem dos castellos, cento e cincoenta contos de maravedis.

Henrique IV não era homem que tivesse resolução para imitar este exemplo do seu homonymo. Em vez de tirar aos fidalgos para dar a si, tirava a si para dar aos fidalgos. Por isso Garcia de Rezende, diz na Miscellanea:

Mui poderoso e servido

El-rei Dom Henrique era,

Mui gran rico, mui querido,

Fôra mui obedecido,

Se governar se soubera.

Mas vimos-lhe tanto dar