Isto passou-se depois da tomada de Ceuta, onde pelas chronicas sabemos que estivera João Vaz de Almada, e onde seu filho, Alvaro Vaz, fôra armado cavalleiro, por mão do infante D. Pedro[[22]], tendo ambos, o infante e Alvaro Vaz[[23]], aproximadamente a mesma idade.

Não foi, como documentalmente provaremos,{32} Henrique V que deu a Alvaro Vaz o condado de Avranches.

Não poderia Alvaro Vaz contar ao infante os casos de bravura presenciados no dia famoso de Azincourt.

E a razão é obvia. A batalha de Azincourt feriu-se em 1415, e n'este mesmo anno, em agosto, se realisou a tomada de Ceuta. Antes, João Vaz e Alvaro estiveram de passagem em Inglaterra, para levantar lanças; só posteriormente á viagem a Africa com D. João I é que emigraram.

Henrique V reinou de 1413 a 1422.

Depois de Ceuta, o genio ardente e o animo valoroso de Alvaro Vaz não lhe consentiram ficar indifferente á guerra que Henrique V movia contra o desgraçado Carlos VI para fazer vingar as antigas pretenções dos Plantagenets sobre a França.

Alvaro Vaz de Almada pagava assim, combatendo pela Inglaterra, a hospitalidade{33} que elle e a sua familia receberam da Inglaterra.

Henrique VI, como veremos por documentos, remunerou-lhe, mais tarde, os serviços que elle havia prestado a Henrique V, e ainda as provas de amor, obediencia e dedicação que já no seu reinado Alvaro Vaz havia dado á corôa de Inglaterra.

D'aqui poderá inferir-se que Alvaro Vaz esteve ainda em Inglaterra depois que Henrique VI, contando alguns mezes de idade, succedeu a seu pai em 1422, e ahi prestou serviços, ou que, depois de ter regressado ao reino, voltasse áquelle paiz, como parece suppôr um escriptor nosso contemporaneo[[24]].

Pelo que deixamos dito, é mais que{34} muito duvidoso que Alvaro Vaz partisse de Castella cavalgando ao lado do infante D. Pedro.