Os chronistas fazem d'este famoso capitão um dos doze de Inglaterra, emparceirando-o{132} alguns, n'esta cavalheiresca aventura, com seu pai.

Não póde ser mais completa a confusão de datas e de nomes, que obscurece esta lenda em si mesma e na sua referencia á familia Almada.

Dêmos desde já um exemplo.

Ferdinand Denis, que com tanto cuidado estudava a historia de Portugal, diz a respeito de Alvaro Vaz de Almada:

«Il faisait partie, dit-on, des douze preux qui allèrent venger l'honneur outragé des dames anglaises; et Camoens l'a celebré en cette occasion, en alterant toutefois son nom»[[71]].

Ora, no episodio dos doze de Inglaterra, Camões apenas nomeia um só, que «Magriço se dizia». Onde o poeta falla do{133} conde de Avranches é no canto IV, quando descreve a batalha de Aljubarrota. E ahi é que lhe troca o nome. Vejamos:

E da outra ála que a esta corresponde,
Antão Vasques de Almada[[72]] é capitão,
Que depois d'Abranches nobre conde,
Das gentes vai regendo a sestra mão.
Logo na rectaguarda não se esconde,
Das quinas e castellos o pendão,
Com Joanne rei forte em toda a parte,
Que escurecendo o preço vai de Marte.

Quem esteve em Aljubarrota não foi Alvaro Vaz de Almada, nem podia estar, porque, sendo aproximadamente da mesma idade do infante D. Pedro, não teria ainda nascido: mas foi seu pai, João Vaz de Almada,—ahi armado cavalleiro.

Effectivamente, um cavalleiro, chamado{134} Antão Vasques, de Almada acrescentam alguns, commandava a ala esquerda do exercito com o gascão Guilherme de Montferrant[[73]].

E este mesmo Antão Vasques, depois da batalha, cobriu os pés do Mestre de Aviz com a bandeira real de Castella.