Não ha nada que me entristeça tanto como encontrar na rua um homem que se mostra desanimado por ser obrigado a trabalhar...
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XVIII
Um grupo de academicos
Lendo ha poucos dias o livro de Alphonse Daudet—Trente ans de Paris—lembrei-me muito de Teixeira de Vasconcellos ao percorrer o capitulo que fala de Villemessant.
O livro (collecção Guillaume & C.ie) é illustrado, e até o retrato de Villemessant denuncia um homem robusto, nutrido, como era Teixeira de Vasconcellos.
Eu conheci este escriptor na sociedade e na Academia. Encontrei-me varias vezes com elle nas soirées politicas de Fontes Pereira de Mello. Visitei-o outras vezes em sua casa, graças á benevolencia com que desde o primeiro dia me havia tratado. Era um perfeito homem de mundo, um gentleman, espirituoso, algum tanto mordaz. Contavam-se a seu respeito anecdotas escabrosas, mas, no trato social, não havia homem que mais prendesse pela amabilidade e pela cortezia.
Um dia Teixeira de Vasconcellos convidou-me para fazer parte da redacção do Jornal da Noite. Eu precisava{154} trabalhar: acceitei. A benevolencia, que elle sempre me tinha dispensado, fazia-me acalentar a esperança de que o gentleman das salas havia de continuar a ser affavel para com o ultimo redactor do seu jornal. Mas, dentro da redacção, Teixeira de Vasconcellos era, pelo menos, um pouco Villemessant: auctoritario, por vezes brusco, um homem muito differente, tomando sempre á lettra o seu logar de chefe de redacção e de dono de jornal.
Toda a gente se queixava d'isto, e eu tive tambem razão para queixar-me.