Todas as polemicas que descambam na offensa pessoal têem o seu lado triste, e esta mais que todas, porque Alexandre da Conceição, no fundo da sua consciencia, reconhecia nitidamente os altos meritos litterarios do seu contendor.
Elle proprio m'o confessou fidalgamente, em 1885, no Café Marrare, n'uma calmosa manhã, em que ali entrámos.
O combate foi tão aspero como longo. A curiosidade publica acompanhou-o, commentou-o e, faz pena dizel-o, divertiu-se. Mas estou plenamente capacitado de que{183} nenhum dos dois guardou duradouro resentimento d'essa cruel peleja.
... E hoje, dissipado o fumo torvo da batalha, o que resta? Camillo, irmanado na grandeza da desgraça a Milton, agonisou privado da luz dos olhos até que, revoltado contra as trevas, arremessou a sua alma para as alturas, que as estrellas e as auroras illuminam. Alexandre da Conceição, adormecido na immobilidade da morte, não é mais do que o envolucro decomposto d'onde se evolou, como um perfume subtil, uma bella alma ardente, mas fidalga.
E, o que é profundamente lacrimavel, tres creanças ficaram ao desamparo, sem pae e creio que... sem pão.
[16] Esta evolução annunciava-a elle em varios artigos, mais tarde (1882) compilados no livro a que deu o titulo de Notas, ensaios de critica e de litteratura.—Nota da 2.ª edição.
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