«Não matou cousa nenhuma. D. José de Almada tinha não só mais talento que elle, mas outra qualidade de merecimento e outra seriedade de estudo. Incommodou-se com isso, como toda a gente se incommoda de ver a ruindade fazer gosto em desacreditar os dotes mais nobres de um homem, a sua intelligencia e o seu trabalho, e respondeu-lhe com a elevação de um poeta e o sentimento de um artista.

«Pouco depois representou-se uma peça de Andrade Corvo, O Astrologo.

«—Ah! O Corvo é um homem superior, um homem{193} justamente respeitado pela valia dos seus meritos... Vou-me a elle.

«E atirou-se-lhe n'uns folhetins, como póde atirar-se um lobo esfomeado a um homem bem nutrido. Corvo foi o ultimo a dar por isso.

«De mais a mais, exactamente por essa occasião, João de Andrade Corvo, tenente do corpo de engenheiros, lente da escola polytechnica, socio da academia real das sciencias, auctor do Anno na côrte, do Alliciador, do Astrologo, de D. Maria Telles, de D. Gil, de Nem tudo que luz é oiro, de grande numero de artigos publicados dos Annaes das sciencias e lettras, na Epocha, etc., estava todo entregue a uma curiosidade.

«Uma tarde, no Rocio, passeando com o dr. Thomas de Carvalho e o dr. Magalhães Coutinho, Andrade Corvo dissera-lhes que para as suas cousas de botanica teria talvez de ir estudar physiologia animal, e ser discipulo d'elles.

«—Não és capaz!

«—Ora! Elle é lá capaz d'isso!

«—Sou capaz até de estudar o curso completo.

«Os dois olharam para elle, sorrindo.