Mas, emfim, o governo não se furtou á corrente pombalina que partia da iniciativa particular, academica ou não academica, para se erguer uma estatua ao marquez de Pombal, e é d'isso que se trata n'este projecto.

O governo foi accusado aqui pelo sr. Pinheiro Chagas de concorrer apenas com uma simples esmola para a celebração do centenario. O governo, sr. presidente, não dá tão pouco como ao sr. Pinheiro Chagas se afigura, e eu n'este ponto fui prevenido em grande parte pelo discurso do illustre deputado sr. Emygdio Navarro, visto que a palavra, por infelicidade minha, me chegou tão tarde.

Já aqui se disse que nos nossos arsenaes não havia bronze inutilsado em quantidade sufficiente para a estatua, porque d'esse metal existiam umas antigas peças de alma lisa que têem sido ultimamente transformadas em peças raiadas.

Póde dizer-se que não ha bronze nenhum inutilisado nos arsenaes, e por isso o governo, por muito pouco que se proponha gastar, não gastará menos de 6:000$000 réis, justamente n'uma época em que se está pedindo ao povo o sacrificio de novos impostos sobre generos alimenticios de primeira necessidade.

Alem de que, tendo a praça destinada para a collocação da estatua, na Avenida da Liberdade, um raio de 100 metros, é forçoso que a estatua do marquez de Pombal tenha dimensões iguaes á de José I, ou quasi as mesmas, circumstancia a que não devemos deixar de attender, visto que somos chegados á parte menos attraente d'esta discussão, o capitulo das despesas a fazer.

Levantem-se, porém, estatuas, sr. presidente; seja-me comtudo licito exprimir o desejo de que quem quizer levantar estatuas, as pague.{59}

Sabe v. ex.ª o que aconteceu ha annos no Porto? Isto a proposito de estatuas, de monumentos.

Os proprietarios da fabrica de estamparia do Bolhão, n'aquella cidade, tinham um grande culto pelo sr. D. Pedro V, de saudosa memoria. Pois quando morreu D. Pedro V, a fabrica de estamparia do Bolhão, no Porto, mandou erigir-lhe á sua custa um monumento.

Uma familia de Braga, a familia Cunha Rebello, que tinha igualmente uma grande veneração por aquelle monarca, mandou levantar-lhe um novo monumento, sem que se lembrasse de recorrer ao estado, para que a auxiliasse na realisação do seu emprehendimento.

E ainda ultimamente, no Algarve, se levantou um monumento, creio que a um medico illustre, por iniciativa particular.