Um d'elles era Guilherme Braga. Posso reproduzir a quadra final que elle compôz:

Curvamo-nos tambem... É Deus que passa
Occulto nos monarchas do proscenio!
É o seu braço de luz que, em fogo, traça
N'aquellas sombras o caminho ao genio.

Outro era Ernesto Pinto de Almeida, um lamartiniano de valor, que disse:

Eu, pobre espectador, do ignaro vulgo,
Que, d'alta sciencia deslumbrando ideas,
Sente, mas não traduz;
Mulher ou anjo, realidade ou sonho,
Teu genio admiro, como admiro o Etna!
O mar... a noite... a luz!...{135}

Emilia das Neves já estava então longe da sua florida mocidade, que devia ter sido gloriosa de esculptural belleza.

Mas, ainda assim, os poetas portuenses de melhor quilate não duvidavam chamar-lhe em 1863 mulher ou anjo.

Annos depois vi-a representar em D. Maria a sua ultima peça, O meia azul, n'uma decadencia pungitiva. A mulher luctava com a doença e com a velhice: duas enfermidades.

O anjo havia rasgado as azas nos espinhos de um esforço supremo de declamação e caracterisação.

E então passava nos meus ouvidos este verso de Ernesto Pinto de Almeida:

Mulher ou anjo, realidade ou sonho...