Mal que a vi dirigir-se para o camarim, corri ao seu encontro.

Gertrudes, rindo muito, como todos os outros artistas que com ella tinham estado em scena, disse-me:

—Já sei, já sei. Então que quer? Escapou-me! Mas o caso é que agradou.

Observei-lhe que esse lapso me prejudicava litterariamente; que eu podia ser accusado, com apparente razão, de ter deturpado a meu bel-prazer, e com mau gosto, o original de Dumas.

E ella, sentando-se no sophá do camarim, ainda arquejante, tomando um tom sentencioso, disse:

—Olhe, meu amigo, não viu como o publico gostou? D'isto é que toda a gente entende, e gosta. Perdoe o mal que lhe fiz, pelo bem que soube ao publico.

E eu, que entrára zangado, acabei rindo... tambem.

Nos ultimos tempos, a doença cavára sulcos profundos no seu rosto. E aquella forte e bella mulher, que parecia talhada, como Emilia das Neves, pelo cinzel de um estatuario, expirou decerto poucos momentos depois do espelho lhe ter dito: «Estás irremediavelmente morta.»

[12] Já falleceu. Era irmão de outro poeta illustre, que felizmente ainda vive, Manuel Duarte d'Almeida.—NOTA DA 2.ª EDIÇÃO.