¿Mas será o mau olhado incombatível? Não. O nosso homem acredita tambêm que «com os chifres, as figas e os ramos de coral bifurcado, se pode destruir ou pelo menos atenuar a sua influência».
¿Já repararam na série de desgraças que tem pesado sôbre o país desde que é presidente do conselho o snr. João Franco? Pois, caso singular, as desgraças sucedem-se e pode dizer-se que nunca houve tantas.
Os políticos não andam seguros. Deu o filoxera, ou a formiga branca com êles, desde que é presidente do conselho, etc, etc. Já a gentana das ruas lhe vai atribuindo dotes maléficos e quando êle passa, se lhe não chamam jettatore, vão-lhe fazendo figas.
Não tarda que, à semelhança do Strand Magazine, as gazetas vulguem o caso ao falario dos seus leitores. E é caso para pensar, acreditem!
Um dia, na Câmara, no acêso duma discussão, Hintze tem uma síncope. Ao acompanhar o entêrro dum amigo e político, Hintze morre repentinamente, e os médicos gaguejam vagas cousas... farda vélha... o calor do chapéu... insolação. José Dias Ferreira, rijo ainda apesar dos seus setenta anos, faz uma conferência desafecta ao govêrno e é repentinamente atacado duma paralisia. Quando menos se espera, morre.
O que mais assombra é o imprevisto com que a Morte tombou êsses dois monarquistas de vélha rocha, que, apesar de pontapizados no seu orgulho e nos seus anos de trabalho, ainda resistiam, cheios de vida e de crença.
A revista inglêsa veio fazer luz. ¿Terá o snr. presidente do Conselho o fatal condão? Será jettatore? Tudo faz crer que sim. D’Aspremont, o jettatore do romance de Gauthier, uma vez que tocou num cocheiro com uma leve bengala, matou-o instantâneamente.
O nosso estadista, nos seus tempos de Coimbra, não podia acariciar um gato, que o animal não morresse logo. Hão-de concordar que é já ter mau olhado.
Nenhuma dúvida resta. É jettatore. Os políticos entre-olham-se finados de mêdo e com terror secreto pensam em quem irá agora. Os indiferentes pensam em que novo desastre estará guardado à nação sob o influxo funesto de tão funesto dom.