LISBOA—ACTUALIDADE
DUAS PALAVRAS
Esta peça, que hoje a livraria Bordalo edita, tem, sob o ponto de vista artistico, muitos deffeitos, que actualmente conheço, mas que me abstive de corrigir, pelos motivos que a seguir exponho.
Foi escripta ha muito anno, e agora que o editor me convidou a revê-la, prescindo de lhe fazer as minimas alterações para que no meu primeiro trabalho de theatro, pensado e passado ao papel numa noite apenas, não deixasse de transparecer a falta de pratica d'outr'ora, a precipitação e pressa com que foi produzido, a inexperiencia dos meus bem verdes annos d'então.
Incommoda-me sobremaneira tirar ás minhas despretenciosas producções o cunho da espontaneidade, embora a arte ganhe com as revisões, que visam a melhor conduzir a acção, a melhor caracterizar as personagens, a aperfeiçoar a fórma. Repugnou-me, pois, modificar a Maldita Felicidade que, para mim, tem o triplo valor de marcar o primeiro passo na litteratura dramatica, de avivar alegres tempos que não voltam e de recordar-me a primeira noite perdida...