PINTO GALLO (passeando pela scena)—Suspiro pela resposta de D. Alexandre Nobre! Seis annos que andei pelos sertões d'Africa, hão-de valer me a nomeação de ajudante de campo de Sua Magestade. Em terras africanas fiz sempre respeitar a bandeira portuguesa, e o meu padrinho, o sr. D. Alexandre Nobre, é politico palaciano, e não costuma faltar ao que promette! Preciso d'honras, quero figurar, embora isto desagrade a minha esposa.

JOSÉ (entrando)—Uma carta para o senhor.

PINTO GALLO (alegre)—É lettra de D. Alexandre (a José) Podes retirar-te. (José sae. Pinto Gallo abre a carta e lê): «Amigo Pinto Gallo. Ainda hontem te participei a nomeação de teus filhos, Fernando e Carlos, para officiaes da secretaria dos negocios estrangeiros, e já hoje venho felicitar-te porque acabo de saber a tua entrada na Real Côrte. A Felicidade deu-te, pois, duas filhas:—a tua Victoria e a tua Gloria!—Dispõe sempre do teu amigo Alexandre Nobre.» (fallado) Oh! Querida felicidade! (toca o timbre) Até que emfim consegui o que tanto ambicionava! Eis-me finalmente ajudante de campo de Sua Magestade! (José apparece).

JOSÉ—O patrão deseja alguma cousa?

PINTO GALLO—Sabes qual é, e onde é o meu alfayate?

JOSÉ—Sei, sim senhor. É o sr. Carneiro Real da rua de S. João dos Bemcasados.

PINTO GALLO—Justamente. Dize-lhe que me traga amostras de fazendas para escolher.

JOSÉ (sahindo)—Vou cumprir as suas ordens.

PINTO GALLO ()—Não darei palavra a minha mulher a respeito da nomeação que obtive para ajudante de campo de El-Rei. Ahi vem ella!... Vou para o meu escriptorio. (Sae).

SCENA II