"A justiça de sua senhoria que se executa—respondeu o conde, que neste momento retrocedia da janella.
"Oh desgraçados! tão breve!—disse elrei, passando a mão pela fronte, d'onde manava o suor da afflicção e do terror. Olhando então para Leonor Telles accrescentou:
"Até a derradeira mealha estão pagas vossas arrhas, rainha de
Portugal! Que mais pretendeis de mim?"
E deixou pender a cabeça sobre o peito.
D. Leonor não respondeu.
D. Gonçalo Telles aproximou-se então da cadeira de D. Fernando, e curvou um joelho em terra.
Elrei alevantou os olhos e perguntou-lhe:—Que me quereis?"
"Senhor—respondeu o honrado e nobre cavalleiro—se vossa senhoria consentisse neste momento em ouvir a supplica de um dos seus mais leaes vassallos!…"
"Falae:—replicou D. Fernando.
"João de Lobeira acaba de receber o premio de sua traição:—proseguiu D. Gonçalo.—O desleal escudeiro possuia avultados bens, que ficam pertencendo á corôa real. Por vossa muita piedade podeis fazer mercê delles a seu filho Vasco de Lobeira; mas o pobre moço ensandeceu ha tempos! Tresleu com livros de cavallarias, e tão varrido está que não fala em al, senão em um que anda imaginando, e a que poz o nome Amadis. Para um mesquinho parvo e sandeu pouco basta, e vossa real senhoria bem sabe que a minha escassa quantia mal chega …"