"Frade abominável, tambem tu és conluiado com o cégo?"
"Não ha duvida!—disse por entre os dentes o prior:—mestre Ouguet está endemoninhado."
Tirando então da manga um pergaminho, em que estavam escriptas varias cousas de doutrina, o poz sobre a cabeça do mestre, fazendo sobre elle tres vezes o signal da cruz.
David Ouguet soltou então uma destas risadas nervosas, que horrorisam, e que tão frequentes são quando o padecimento moral sobrepuja as forcas da natureza.
"Cão tinhoso—bradou Fr. Lourenço—espirito das trevas, enganador, maldicto, luxurioso, insipiente, ebrio, serpe, vibora, vil e refece demónio, emfim, castelhano[2]. Em nome do creador e senhor de todas las cousas, te mando que repitas o credo, ou sáias deste miseravel corpo."
Mestre Ouguet ficou immovel e calado.
"Não cedes?!"—proseguiu o prior—"Recorrerei ao septimo, ao mais terrivel exorcismo. Veremos se poderás a teu salvo escarnecer das creaturas feitas á imagem e semelhança de Deus."
Depois de varias ceremonias e orações, Fr. Lourenço chegou-se ao pobre irlandez, e começou a repetir o conjuro, fazendo-lhe uma cruz sobre a testa a cada uma das seguintes palavras, que proferia lentamente:
"Hel—Heloym—Heloa—Sabaoth—Helyon—Esereheye—Adonay—Iehova—
Ya—Thetagrammaton—Saday—Messias—Hagios—Ischiros—Otheos—
Athanatos—Sother—Emanuel—Agla—……
"Jesus!"—bradou a uma voz toda a gente que estava na igreja.