"Cortezes costumam ser mouros com seus captivos fidalgos. Fazem esta perraria a D. Diogo Lopes, porque já são passados tres annos, e não ha vêr seu resgate."
E os peregrinos que vinham do captiveiro e relatavam taes cousas, bem ceados e agasalhados no castello, iam-se no outro dia com Deus, levando provída a escarcela, e em boa e sancta paz.
Quem não ficava em paz era D. Inigo:—"Porque não vaes tu á serra?"—dizia-lhe uma voz ao ouvido.—"Porque não ides procurar vossa mãe?"—repetia-lhe o pagem Brearte.
Que lhe havia de fazer? Uma noite inteira levou em claro a pensar nisso. Pela manhan, a Deus e á sorte, ei-lo que emfim se resolve a tentar a aventura, bem que de seu mau grado.
Benzeu-se vinte vezes, para não ter lá de persignar-se. Resou o Pater, a Ave, e o Credo; porque não sabia se em breve essas orações seriam cousa de recordar-se.
E seguido de um mastim seu predilecto, a pé e com um venábulo na mão, foi-se através das brenhas por uma vereda que dizia para os pincaros tristes e ermos, onde era tradição que a linda dama linha apparecido a seu pae.
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Trinam os rouxinoes nos balseiros, murmuram ao longe as aguas dos regatos; ramalha a folhagem brandamente com a viração da manhan: vae uma linda madrugada.
E Inigo Guerra galga manso e manso os carris empinados, trepa de barrocal em barrocal, e apesar de seu muito esforço, sente bater-lhe o coração com ancia desacostumada.
Onde as matas faziam alguma clareira, ou as penhas alguma chapada,
D. Inigo parava um pouco tomando o folego, e pondo-se a escutar.