Muito havia que andava embrenhado: o sol ía alto, e o dia calmoso: ao canto do rouxinol seguira o piar da cigarra.

E encontrou uma fonte que rebentava de rochedo negro, e saltando de aresta em aresta vinha cahir em almacega tosca, onde o sol parecia dançar no bolir das ondasinhas, que fazia o despenho da cascata.

D. Inigo assentou-se á sombra da rocha, e tirando a sua monteira matou a sêde que trazia, e poz-se a lavar o rosto e a cabeça do suor e pó, que não lhe faltava.

O mastim, depois de beber, deitou-se ao pé delle, e com a lingua pendente arquejava de cansado.

De repente o cão poz-se em pé, e arremetteu com um grande ladro.

D. Inigo volveu os olhos: um jumento silvestre pascia na orla da clareira juncto de um frondoso carvalho.

"Tarik!—gritou o mancebo—Tarik!"—Mas Tarik ía avante e não escutava.

"Ai, deixa-o correr, meu filho! Não é para o teu mastim levar a melhor desse onagro."

Isto dizia uma voz que, lá em cima no alto da penha, começou de soar.

Olhou: linda mulher estava ahi assentada, e com um gesto amoroso e um sorriso d'anjo para elle se inclinava.