"Minha mãe! minha mãe!—bradou Inigo Guerra alevantando-se: e lá comsigo dizia:

—Vade retro! Sancto Hermenegildo me valha!"

E como molhára a cabeça, sentiu que os cabellos se lhe iam alçando de arripiados.

"Filho, na bôca palavras dôces; no coração palavras damnadas. Mas que importa, se és meu filho? Dize o que queres de mim, que será tudo feito a teu talante e vontade."

O moço cavalleiro nem acertava a falar com medo. Já a este tempo
Tarik gemia uivando debaixo dos pés do onagro.

"Captivo está de mouros ha annos meu pae D. Diogo Lopes:—disse por fim titubeando.—Quizera me ensinasseis, senhora, o modo como hei-de salva-lo."

"Seu mal, tão bem como tu, eu sei. Se podesse ter-lhe-hia accorrido, sem que viesses requere-lo; mas o velho tyranno do ceu quer que elle pene tantos annos quantos viveu com a … com a que sandeus chamam Dama Pé-de-Cabra."

"Não blasphemeis contra Deus, minha mãe, que é enorme culpa:—interrompeu o mancebo cada vez mais horrorisado.

"Culpa?! Não ha para mim innocencia nem culpa:—replicou a dama rindo ás gargalhadas.

Era um rir de dorminte, triste e medonho. Se o diabo ri, como aquelle deve de ser o rir do diabo.