O tremulo ancião, de longe, os olhos
Volve a Jerusalem, della fugindo;
Vê-a, suspira, cahe, e em breve expira

Com seu nome nos labios.

Que horror!—ímpias as mães os tenros filhos
Despedaçaram: barbaras quaes tigres,
Os sanguinosos membros palpitantes

No ventre sepultaram.

Deus, compassivo olhar volve a nós tristes:
Cessa de Te vingar! Vê-nos escravos,
Servos de servos em paiz estranho.

Tem dó de nossos males!

Acaso serás Tu sempre inflexivel?
Esqueceste de todo a nação tua?
O pranto dos hebreus não Te commove?

És surdo a seus lamentos?

XXI.

Doce era a voz do velho: o som do Nablo
Sonoro: o céu sereno: clara a terra
Pelo brando fulgor do astro da noite:
E o propheta parou. Erguidos tinha
Os olhos para o céu, onde buscava
Um raio de esperança e de conforto:
E elle calára já, e ainda os ecchos,
Entre as ruinas sussurrando, ao longe
Íam os sons levar de seus queixumes.