Meu amor e meus encantos

Pouco tempo te prenderam:
Em mim do sepulchro os vermes
Por tua mão se pasceram.

Depois, a amar-me tornando,

Repetiste um crime horrivel...
Teu amor é frouxo sempre;
Teu odio sempre terrivel!

Mas agora, odiada ou grata,

Não sairei de teu lado:
Nada quebra no outro mundo
Dos mortos negro noivado.

Alma e corpo me cedeste:

O corpo aqui dormirá:
Porém tua alma comigo
Mais longe se acolherá!»

Não lhe respondeu o alcaide,

Que a morte empallidecera,
E, ao som de arranco profundo,
No chão, extincto, batera.