—Vamos para o salão reservado.
Contiguo ao quarto de cama de Pozzoli, no salão reservado não entravam senão os intimos do emprezario.
Era uma sala octogona, sem janellas, alumiada apenas por lampadas arabes mettidas em vidros de{138} côres, que espalhavam uma luz mysteriosa e sensual.
Espessos tapetes persas cobriam o sobrado e amontoavam-se para formar um largo divan baixo, que circundava toda a casa.
Tamboretes de madrepérola e marfim, espalhados ao acaso, completavam a mobilia da casa, cujas paredes eram forradas d'espelhos caros.
A pintura do tecto representava a dansa de sete odaliscas nuas, deante do senhor, acocorado e fumando, com os olhos semi-cerrados e os labios, entre-abertos.
—Uff! Não posso mais! disse Pozzoli ao entrar na sala, atirando-se para o divan. Não bebi quasi nada durante a noite, para estar senhor de mim. Vou desforrar-me!
Carregou n'um botão.
Um dos espelhos moveu-se, deixando uma abertura, a que appareceu um creado.
—Antonio, chypre para mim, e champagne para a senhora e para o sr. Lauretto Mina.