—Temos de beber á tua dupla victoria, disse o tenor. Ah! meu caro, palavra! cheguei a suppôr-te um homem morto!

—Tambem eu cheguei a considerar-me n'esse lindo estado! replicou Pozzoli, tirando das algibeiras, á{139} mistura, notas de banco e moedas d'oiro, que ia pondo sobre um tamborete proximo.

Depois d'alguns instantes de silencio continuou:

—Se não fosse a intervenção da nossa querida Laura, tinha-me levado o diabo! Esteve toda a noite a meu favor, a Linda! Só lhe apanhei cinco mil francos, mas ficou-me a dever quatorze, o que prefaz um total de desanove. E aquelle grito de prevenção, que soltou, salvou-me a vida. Ah! é tão bom viver!

—O pobre visconde, chasqueou Lauretto, é que não pode dizer o mesmo por muito tempo. Entretanto é de esperar que viva ainda bastante. Reparaste? A Linda mandou-o conduzir para casa d'ella. Aposto em como o vae amar loucamente. A noite foi boa, Pozzoli. Trataste satisfatoriamente dos teus negocios e adeantaste os meus. Obrigado!

—Não te calarás? gritou a Elvira gorda acotovellando o tenor com rudeza.

Lauretto riu-se.

—Deixa-o fallar, Elvira, disse Pozzoli. Lauretto tem razão. Vou por elle. Has de ser amante de Laura!

E rindo-se, pegou em quatro notas de mil francos cada uma.

Dobrou-as e atirou com duas a Elvira, dizendo-lhe: