Durante uma semana em que fluctuou entre a vida e a morte, Antonino viu, atravez o delirio, passar e repassar uma sombra, branca e silenciosa, que corria para elle ao ouvil-o soltar um gemido, ou se inclinava para lhe humedecer a fronte escaldante de febre ou para lhe dar de beber.

Por vezes essa que para o visconde era apenas sombra, dirigia-lhe palavras meigas, que elle não comprehendia, mas que o embalavam, socegando-o.

Um dia o pensamento fixou-se no seu cerebro perturbado.

A febre diminuiu, e, como accordando d'um pesadello{146} terrivel, Antonino olhou em volta, parecendo distinguir e perceber.

A sombra branca lá estava junto d'elle.

Não sonhára, pois.

Ella lá estava, envolvendo-o n'um olhar em que o sorriso transparecia por entre as lagrimas.

O visconde reconheceu-a.

Sorriu-lhe tambem e murmurou:

—Laura!