—Laura! vem!... Leva-me comtigo para o infinito, onde as estrellas executam uma dansa luminosa!... Meu Deus! como os teus cabellos cresceram desde a ultima vez que os acariciei, Laura!... Vejo-os fluctuar ao longe, atraz de nós, cauda d'um cometa d'ouro, entre a harmonia dos astros... A brisa eterna fal-os soltar notas maviosas... Vibram como cordas d'harpas eolias... Ouço por toda a parte a sympathonia do amor, em que canta um beijo que dura um seculo!...
Calou-se.
Elvira passou apenas a ouvir os roucos estribulos de Pozzoli, curtindo socegadamente a bebedeira.
Lauretto foi em breve fazer companhia ao emprezario, sobre o tapete.
Elvira olhou primeiro para Pozzoli, que parecia dormir o somno da innocencia, e depois para Lauretto, que conservava a bocca e os olhos entreabertos, n'uma expressão mystica de Christo em extasi.
Por fim levantou-se; arredou-os com o pé para passar, dizendo despresadoramente:
—Que dois brutos!
E entrou, só, no quarto da cama.{144}
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