—Ah! se tivesse um filho, respondia Laura, jámais teria saudades!...
E teria ella saudades, effectivamente?
O marido começára por se apaixonar pela voz, e continuava-a amando por isso, sem prejuizo d'outros predicados.
Todos os dias cantava para satisfazer os desejos d'Antonino, que, excellente musico, a acompanhava ao piano, extasiando-se como d'antes, e mais do que d'antes até, ante aquelle delicioso e divino canto.
Mas se continuava a ser a mesma cantora, Laura deixára de ter o mesmo publico.
Foi essa a razão porque, depois de dezoito mezes d'ausencia, elles annuiram em que o paiz natal, o socego do lar, a vida de familia, tinham tambem o seu encanto.
E como estavam d'accordo, regressaram a França.{164}
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[XIV
A vida no castello]
O castello de Bizeux, proximo de Saint-Pol-de-Léon, e a um quarto de legua de Roscoff e do mar, estava edificado n'uma encantadora região, em que o ondeado da copa do arvoredo se perdia ao longe no accidentado das colinas.